A existência de um grande lago no centro da
América do Sul é legendária desde o
início da colonização. O nome "Mar dos
Xaraés" foi mencionado primeiramente pelo conquistador espanhol
Nuñes Cabeza de Vaca, fundador da cidade de Asunción
(Paraguai), que deve ter ouvido falar do "mar" em 1543 pela tribo dos
Xaraés.
No mapa feito em 1559 por Hondius, o Pantanal
é representado como um grande lago, "Eupana Lacus", cercando um
arquipélago. Em 1641, na edição melhorada do mapa
de Hondius, o lago está ainda lá mas nenhum nome é
dado. Esse lago apareceu como uma fonte comum do Paraguai, do
São Francisco e até mesmo do Amazonas (Hoechne, 1936).
Essa denominação continuou sendo
empregada mesmo após a constatação de que
não se tratava de um lago e sim de uma planície sujeita a
inundações. Foi apenas no
começo do século XX que a região passou a ser
conhecida como Pantanal, denominação também
imprópria uma vez que não se trata de um pântano,
como o nome pode sugerir.
Até o século XVIII o Pantanal foi ainda
domínio da tribo Paiaguá, exímios canoeiros, dos
Guaicurus que se tornaram temidos cavaleiros e outros. Em 1719 a
bandeira de Pascoal Moreira Cabral - vinda da província de
São Paulo para escravizar indígenas - descobriu ouro nos
afluentes do rio Cuiabá. Rapidamente
estabeleceu-se a linha de fronteira que separava terras portuguesas e
espanholas, protegida por novas povoações e fortalezas.
Com o garimpo de ouro surgiu Poconé, em 1781.
Após esgotadas as minas, o município mudou seu rumo
econômico e deu início à pecuária extensiva
favorecida pelas pastagens naturais da região.